Mato-competição nos primeiros anos

Gostaria de ouvir experiências de quem já implantou sistemas agroflorestais orgânicos em pastagens degradadas com solo de baixa fertilidade e domínio de gramíneas exóticas.
Em alguns casos, percebo que o controle inicial da braquiária é o gargalo operacional e ecológico mais relevante, e que o ritmo de cobertura do solo pelas espécies do SAF muda muito conforme o manejo prévio e a densidade de plantio.
Como foi o processo de vocês para conduzir o primeiro e o segundo ano do sistema? Em que momento o consórcio começou a “fechar o dossel” e reduzir o esforço de manejo do capim?

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Rafael uma das experiências mais bem sucedidas que participei nesse caso foi em um saf biodiverso em Paraty de uns 2 ha de pastagem bem degradada e declivosa.

No primeiro ano focamos em adubação verde da área com leguminosas arbustivas e herbáceas, como tefrosia, guandu, e feijão de porco, deixando o “mato tomar conta” por uns 8 meses. A macega que formou então foi roçada e plantamos linhas puras de ingá feijão (Inga marginata) bem denso (2m entre plantas) intercaladas com linhas de árvores pioneiras e secundarias (jacaranda, arariba, carvalho brasileiro, etc) e frutiferas nativas (grumixama, cambuca, cabeludinha, cupuaçu, cacau). Nas entre linhas iniciamos com mandioca, mantendo roçadas quinzenais nos primeiros 3 meses de diferenciação radicular.

Toda a MO das roçadas e adubacao verde sempre concentrada no pé das árvores e após a colheita da mandioca as entre linhas seguiram produzindo culturas anuais, como feijao, milho, abobora (a gente mantinha as entre linhas como roça mesmo). A área então passou a ter uma capina seletiva da braquiaria, que nessa fase ja estava mais fraca, deixando as regenerantes estrategicas crescerem. Depois de uns 2 anos nessa rotação, os ingas ja começaram a sombrear bem a área e assim a braquiaria finalmente ficou insignificante e conseguimos ter um ambiente bem mais propicio para as frutiferas, que nesse ponto ja estavam começando a produzir. Depois de uns 5 anos de crescimento do Inga, derrubamos todos, cobrimos a área toda e enriquecemos o saf com plantas mais exigentes, como jussara e madeiras de lei.

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Outra experiência interessante que tive foi em meu mestrado. Eu testei o efeito de diferentes espaçamentos de banana maçã no controle cultural de plantas espontâneas. Nas densidades mais altas (3200 pl/ha por ex) a braquiaria sumiu quase que 100% da área em 1 ano, apenas com o controle cultural da sombra da banana + roçadas periódicas. O solo melhorou e a composição florística mudou completamente, muito mais fácil de manejar e reduzindo drasticamente a necessidade de roçada. Um insight que tive na época foi que em áreas com aptidão, a banana poderia ser usada de forma adensada na implantação de uma agrofloresta para controlar a braquiaria, melhorar a qualidade do solo e ainda gerando um produto rápido ao produtor. Claro que precisa ser tudo colocado na ponta do lapis, mas penso que pode ser uma boa estrategia.

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